Prezados irmãos e leitores,
Na descrição bíblia há mais de um tipo de medo. Em Apocalipse 21.8
o medo é chamado de “covardia” e quem tem esse tipo de medo não entra no Reino
de Deus. No texto em tela, o medo é vencido pelo amor. Esse medo é o temor da
morte e do fracasso. Nem sempre o medo é uma fraqueza. Nem sempre o medo é
prejudicial. Nem sempre ele é doentio. Há medo que é benéfico. Exemplo: medo de
feras. Ninguém se anima a enfrentar um leão ou uma onça.
Aos crentes de Corinto, Paulo diz três vezes estar possuído de medo
(2Co 12.20-21): “Tenho medo de que, ao chegar aí (em
Corinto), eu os encontre diferentes do que eu gostaria que fossem e que
vocês me achem diferente do que gostariam que eu fosse. Tenho medo de encontrar
brigas e ciumeiras, ódio e egoísmo,
insultos, falatório, orgulho e desordens. Receio ainda, que na minha próxima
visita, o meu Deus me humilhe diante de vocês e que eu tenha de chorar por
muitos de vocês que continuam a cometer
os mesmos pecados que cometiam no passado e não se arrependeram de sua imoralidade
sexual, nem das relações sexuais proibidas,nem de outras coisas indecentes que
faziam”.
O que dizer desse medo de Paulo? É uma vergonha ou uma extraordinária virtude? O medo
do apóstolo nasce de uma qualidade ministerial: o zelo de um pastor que não
abandona as ovelhas. A igreja seria outra se seus pastores tivessem tempo para
ter medo. Pastores sem esse tipo de medo não são pastores exemplares. Na
verdade são péssimos pastores, parecidos com aqueles pastores mercenários que
não se importam com as ovelhas (Jo 10.12-13). Jamais deveriam ser ordenados e
exercer o ministério. Os seminários precisam formar pastores com medo, em
benefício da igreja, que é o Corpo de Cristo. O medo de Paulo no contexto da passagem de (1Co 12) não é um
detalhe que deve passar desapercebido, mas um comportamento que deve constar em
suabiografia. Frente ao problema mencionado, o apóstolo poderia encolher os
ombros e se justificar: “Se os coríntios querem viver esse tipo de vida, que vivam”.
O medo de Paulo tem fundamento. A igreja de Corinto tinha sido exortada
várias vezes tanto pela palavra falada como escrita. Até a ocasião da segunda carta, os coríntios continuavam
andando segundo a carne. Agora, na véspera de mas uma visita à cidade, o
apóstolo sofre por medo de encontrá-los
no mesmo estágio. Se os encontrasse assim, Paulo explica: “Não vou ter pena de
ninguém” (2Co 13.10) .Não se sabe se nessa visita a Corinto (2Co 13.1) o apóstolo teria encontrado uma igreja ainda caracterizada
por animosidade, arrogância, brigas, calúnias, ciúmes, contendas, debates,
desordens, insolências, intrigas,
inveja,maledicências, ódio, porfias, raiva, rancor, rixas, sedições,tumultos,violência,etc. Além do leque fornicação, imoralidade, impudicícia, lascívia,
libertinagem, luxúria e outras relações sexuais ilícitas. Tomara que não.
(paráfrase de Ultimato, julho/agosto, pg 6).Hoje fala-se muito em prosperidade e pouco se fala em santidade e em vida
íntima com Deus. Paulo temia pela igreja. Um pastor de fato, teme pela
degeneração da Palavra e procura ensiná-la sem distorções e, acima de tudo,
zelar pelo bem-estar de toda a comunidade. Como pastor, preciso ter medo de ver
a igreja entrando a passos largos pela “secularização”. (Soli Deo Glória). Clóvis.
